Quem sou eu

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Sou português, filho de pais incógnitos. Nasci em Lisboa, percorri Portugal e pela mão de Amália Rodrigues, corri mundo. Estou em toda a parte em que haja um português. Sou um capítulo de cultura portuguesa e a expressão máxima de Portugal. O Menor foi meu pai e minha mãe, o Mouraria é meu amante e casei-me com o Corrido. Tenho muitas namoradas, as Meninas Músicas filhas de distintos pais, os Meninos Poemas também namoram com elas, amo os Poetas ♥ ! Para fazer pirraça sou dedilhado numa guitarra, por vezes choro outras rio ... A D. Viola dá-me a marcação. Muito se diz sobre mim e eu continuo a ser mistério, sou amante, namorado, sou casado e sou galdério, sou leviano, atordoado mas também sei ser sério. Gosto da luz da candeia e do cintilar das velas, mas também gosto dos holofotes e do palco, sou vaidoso, sou boémio, sou artista, sou sofredor, sou alegre, sou verdade, sou português e por isso sou fadista! Gosto que me cantem bem, que me digam bem e que não me troquem as palavras... Posto isto, sou a canção mais bela do mundo ♥ !

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Origem de Mário Raínho

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♥ Fados e temas de Amália Rodrigues ♥

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terça-feira, janeiro 31, 2017

Em memória de Luciano Cavaco


Faleceu Luciano Cavaco, fadista, actor, escritor, cenógrafo ... tinha 40 anos.
Os meus sentidos pêsames à família enlutada. 




domingo, janeiro 01, 2017

Em memória de Conceição de Freitas


Faleceu hoje em São Paulo, Brasil, a fadista Conceição de Freitas, que se acenda mais uma estrelinha no firmamento do Fado.

Ilha da Madeira, 6 de Dezembro de 1964 / São Paulo, 1° de Janeiro de 2017




segunda-feira, agosto 01, 2016

Em memória de Mário Moniz Pereira


Faleceu Mário Moniz Pereira, poeta, autor, compositor ... e ainda desportista, professor de educação física, treinador,  foi apelidado de Senhor Atletismo. Levou o nome de Portugal pelo mundo e colocou-o bem alto.

Que se acenda mais uma estrelinha, tenho a certeza que ele acha que "Valeu a pena" !

Mário Moniz Pereira
Lisboa, 11 de Fevereiro de 1921 - 31 de Julho de 2016


quarta-feira, junho 10, 2015

Em memória de Carlos Madureira


Faleceu hoje Carlos Madureira, fadista imenso !

Que descanse em paz e que se acenda mais uma estrela no firmamento do Fado






terça-feira, fevereiro 10, 2015

Em memória de Alfredo Guedes


Faleceu ontem o fadista Alfredo Guedes.
Que descanse em paz e que se acenda mais uma estrela no firmamento do Fado.

Alfredo Guedes
14-10-1933 / 9-02-2015



quarta-feira, setembro 18, 2013

Em memória de Sebastião Manuel


O fadista Sebastião Manuel, natural de Loulé, faleceu hoje em São Paulo (Brasil)
♥ Descanse em paz ♥
Que se acenda mais uma estrela no firmamento do Fado



sexta-feira, novembro 25, 2011

Fado que dizer "destino" ou expressão musical ?


Surfando por aí, sempre em busca de novos Poemas de Fado, fui deitando um olho por cima da minha "prancha" e encontrei outra opinião sobre as origens do nosso Fado ... e aqui está !
Todavia acho que vou começar a navegar de barco, já que somos um povo de marinheiros, porque cada vez as pesquisas dão mais frutos do mar, neste mar de Fado ... É já este fim de semana que vamos ter enfim a certeza se a candidatura do Fado a Património Imaterial da Humaninade é aprovada ou não. Sinceramente eu penso que sim, só me restam dúvidas (imensas) sobre o que este diplôma vai ou não trazer ao Fado e aos seus amantes (Fadistas, Poetas, Músicos e Compositores) ???

Deixo-vos com o fruto da minha última pescaria !

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Se já leram muitos artigos sobre este a história do fado, certamente que têm a noção do que vou referir nesta página. Se são pesquisadores da matéria, nalguns pontos de certeza que estaremos em discórdia. Mas quando se investiga um determinado assunto criamos dentro de nós um conceito sobre a matéria estudada. Não somos detentor da verdade pura, mas estamos contra as burrices de idiologias sem fundamento.

Falar de FADO é ler e reler as diversas opiniões, mastigá-las bem, dar sete voltas à língua... botar faladura e seja o que Deus quizer. Qualquer que tenha sido a origem do FADO a opinião de Alberto Pimentel, para nós, é a mais credível. No seu livro "Triste Canção do Sul" ele é bem claro nas suas investigações.
Luis de Camões, na sua epopeia "Os Lusiadas" utiliza 18 vezes a palavra fado. É precisamente aqui que o leitor menos atento começa por ter conceitos errados sobre a origem do FADO.

A palavra "fado" é uma coisa e FADO, como expressão musical, é outra. 

A comprovar esta afirmação está o estudo feito, por Alberto Pimentel, da literatura portuguesa do século XVI, XVII e século XVIII. Tinop não partilha da mesma opinião. Vislumbra no FADO uma origem marítima. É pouco provável. Sendo Portugal um país com tão grande extensão marítima, O FADO teria aparecido em diversos pontos de Portugal, levado por marinheiros e constaria dos arquivos e diários de bordo, por exemplo na Ponta de Sagres, onde existiu a Escola Náutica.

Outra opinião não fundamentada é a visualização de semelhanças entre o FADO e o Lundum, dança de umbigada africana. Se assim o fosse, mais uma vez ele teria sido levado para outros pontos e não teria ficado circunscrito à zona de Lisboa.

Estabelecer uma ligação directa do FADO com a nostalgia das Mornas, com o Tango argentino, com as Festas de S. João de Braga ou com a solidão de um marinheiro no alto mar, implicaria que o mesmo tivesse aparecido no pulsar de outros povos de culturas bem diferenciadas da portuguesa.

Que os portugueses de agora possam saborear o FADO em diversos pontos do nosso território, não faz do FADO a canção nacional.
Cada província portuguesa tem maneiras de estar de cantar e de sentir bem distintas.

Retomando as ideias de Alberto Pimentel, primeiro nasceu o homem e depois a expressão musical. Isto é, primeiro nasceu o fadista e depois o FADO. Mas o primeiro fadista não cantava. A ele eram encomendados, por ser destro no manejo da navalha, o fado de muita gente. Esta personagem aparece com toda a lógica com a instabilidade do país, aquando da fuga da família real para o Brasil. Napoleão Bonaparte decreta o Bloqueio Continental e Portugal vê-se invadido e saqueado pelas tropas Napoleónicas. As ruas mal iluminadas e as casas, de gente endinheirada, abandonadas aguçam o apetite à mão do alheio. Um país saqueado tem fome, e "casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão". As vinganças e os ajustes de contas fazem aparecer no nosso país esta personagem de melenas compridas que encobriam a sua face, o juiz de todas as discórdias. O fadista era temido por tudo e por todos, gabando-se, nas tascas mal iluminadas, dos seus feitos heróicos. É bem provável que nas sua visitas a casas de pessoas endinheiradas, que acompanharam a fuga da família real para o Brasil, ele tenha descoberto a Guitarra Portuguesa e na sua companhia comece por cantar as suas proezas.

A Guitarra Portuguesa que encontra os seus primeiros adeptos no Porto tem a sua origem próxima num instrumento inglês chamado Cistre (não confundir com Sistro, forquilha de madeira com soalhas de metal - da família dos Chincalhos), que entra pela Barra do Douro onde atracavam os barcos que faziam as trocas comerciais com os ingleses. O Mestre de Capela do Porto António da Silva Leite, devido ao entusiasmo crescente por este instrumento, nacionaliza-o e escreve um estudo para Guitarra, dedicado a Dona Antónia Magdalena e coloca-o à venda por 1200 reis, no dia 15 de Março de 1796. As músicas propostas por este estudioso são Minuetes, Marchas, Alegros e Contradanças.

Neste estudo de Guitarra não consta qualquer referência a nenhuma expressão musical que tenha a ver com FADO. Se o mesmo já existisse, também ele deveria ter sido mencionado por este professor de música. Só a partir desta data, a palavra Guitarra passa a pertencer ao vocabulário português. De salientar a importância de um outro Método datado de 1789, escrito por Paixão Ribeiro para Viola de Arame de 12 cordas e 5 ordens com o título "A Nobre Arte da Viola". A Guitarra de Silva Leite só tinha 10 cordas, as 4 primeiras ordens duplas e as restantes singelas (utilizava a afinação natural - do agudo para o grave Sol, Mi, Dó, Sol, Mi, Dó) pela análise destes documentos podemos afirmar que a Guitarra nasceu sem conhecer o fado.

Clique aqui para entrar no site e depois entre em "História"

quinta-feira, novembro 24, 2011

Sobre as origens do Fado ...



  
- O fado era aquela música que os marinheiros portugueses, tomados pela saudade, já cantavam nas caravelas, certo?

Eeerh... Por acaso, não. As origens do fado continuam a ser muito discutidas, mas nas caravelas de certeza que nunca embarcou. É que a palavra, usada num contexto musical, só começou a aparecer em finais do século XVIII. A primeira descrição documentada do género "fado" data de 1827 e foi feita por um capitão francês que andou a cirandar pelos portos do Brasil.


- Mas nos portos do Brasil do século XIX já havia mulheres vestidas de preto a queixarem-se da vida?

Nada disso. O que havia então era negros a dançar o "fado".


- Como assim? 0 Fado dançava-se?

No Brasil, sim: era uma dança com profundas influências africanas. O tal capitão francês classificou-a como "voluptuosa", que à época era uma maneira de dizer "provocante" e "erótica". Uma pouca-vergonha, enfim...


- Ora essa. E como é que se transformou no fado que conhecemos?

Esse é o grande mistério. Aliás, há quem recuse a origem brasileira, apontando influências árabes, ou quem - caso do investigador José Alberto Sardinha - defenda que se trata de uma criação 100% nacional, nascida do romanceiro tradicional, que chegou à capital através dos músicos itinerantes. O certo é que ainda na primeira metade do século XIX o género já é identificado em Lisboa, sobretudo nos bairros de má fama.

- Por volta de 1830, a expressão "casa de fado" era usada como eufemismo de um estabelecimento dedicado à prostituição. Mais pouca-vergonha?

O inicio da história do fado está cheio dela. Aliás, se chamássemos fadista a alguém no século XIX corríamos o risco de ser agredidos. A palavra era um sinónimo de marginal e de prostituta. Foi para fugir a esta conotação que as palavras "cantador" e "cantadeira", ainda hoje usadas, foram criadas. Sim, porque a famosa Severa era prostituta. A Severa é o grande mito fundador da história do fado, e dela se sabe muito pouco, para além de ter nascido em 1820 e morrido aos 26 anos. Mas sim, a senhora era prostituta e cantora de fados. O Conde de Vimioso apaixonou-se por ela e a longa ligação entre ambos terá aberto as portas do fado aos meios intelectuais e aristocráticos. 

- E depois?

Depois a popularidade do fado não parou mais de crescer, ultrapassando as diferenças de classe. A Severa foi cantada e foi pintada e o fado foi aos poucos afirmando-se como um elemento fundamental da cultura urbana lisboeta. Mas até aos anos 30 do século XX continuou a ser uma actividade amadora. 

- O que aconteceu nos anos 30? 
A rádio e o disco conduziram à sua profissionalização. E depois o Estado Novo, para poder controlar um meio potencialmente subversivo, instaurou a obrigação de cada fadista ter uma carteira profissional para cantar em público e ser remunerado por isso.


- Foi a partir daí que começaram a aparecer as casas de fado como hoje as conhecermos?

Exactamente. A partir daí começou a surgir a cultura da casa de fados, mais a respectiva iconografia fadista - o xaile, o silêncio, as luzes baixas - e a formar-se o conjunto de fados tradicionais. 

- O que é isso dos fados tradicionais? 
Os especialistas defendem que todo o fado entronca em três melodias básicas: Fado Menor, Fado Corrido e Fado Mouraria Em cima deles nasceram muitos outros fados, chamados tradicionais ou clássicos (as opiniões dividem-se sobre o número, variando entre os 150 e os mais de 300). 
Esses fados, ao contrário dos fados-canção (geralmente compostos a partir de um poema especifico), não têm refrão, respeitam certas estruturas melódicas, suportam as letras mais variadas e abrem um grande espaço de improvisação ao cantor e ao seu estilar. 

- Ao seu quê?

Ao seu estilar. O "estilar" é a assinatura do fadista, aquilo que o torna original. Tem tudo a ver com a capacidade de improvisação e de criar as chamadas "voltinhas" por cima de um mesmo colchão melódico. É isso que faz com que o mesmo Fado Vitória cantado por Amália em "Povo que Lavas no Rio" ou por Fernando Maurício em "Igreja de Santo Estêvão" possa parecer duas canções totalmente distintas. Fadista que é fadista improvisa e inova. 
Fadista que não é fadista limita-se a copiar o próximo - e a abrir muito a goela no ataque final.
In "Fado-Tótós" de João Miguel Tavares - Time Out Lisboa de 16 de Novembro 2011
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/