Quem sou eu

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Sou português, filho de pais incógnitos. Nasci em Lisboa, percorri Portugal e pela mão de Amália Rodrigues, corri mundo. Estou em toda a parte em que haja um português. Sou um capítulo de cultura portuguesa e a expressão máxima de Portugal. O Menor foi meu pai e minha mãe, o Mouraria é meu amante e casei-me com o Corrido. Tenho muitas namoradas, as Meninas Músicas filhas de distintos pais, os Meninos Poemas também namoram com elas, amo os Poetas ♥ ! Para fazer pirraça sou dedilhado numa guitarra, por vezes choro outras rio ... A D. Viola dá-me a marcação. Muito se diz sobre mim e eu continuo a ser mistério, sou amante, namorado, sou casado e sou galdério, sou leviano, atordoado mas também sei ser sério. Gosto da luz da candeia e do cintilar das velas, mas também gosto dos holofotes e do palco, sou vaidoso, sou boémio, sou artista, sou sofredor, sou alegre, sou verdade, sou português e por isso sou fadista! Gosto que me cantem bem, que me digam bem e que não me troquem as palavras... Posto isto, sou a canção mais bela do mundo ♥ !

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sábado, fevereiro 13, 2016

Não invente Histórias sobre o Fado

Navegando pelo Facebook, dei com este texto de José Lúcio Ribeiro de Almeida, publicado pela minha amiga e colega Helena de Castro. Claro que aprendi mais umas coisas, pois se o autor diz que ainda diz que continua a aprender (cf. o meu artigo "Aprenda a ouvir Fado"), quem sou eu ? Faça como eu, leia e aprenda ... Por Amor ao Fado !



Passo a citar José Lúcio Ribeiro de Almeida :


Não invente Histórias sobre o Fado
Se gosta de Fado é importante que não o maltrate. Se gosta de Fado é importante que leia vários livros sobre Fado para que depois possa formular a sua opinião, baseada em factos minimamente racionais. É que cada vez mais encontro "especialistas na matéria a mandar palpites sobre o assunto e não vejo ninguém com a coragem de lhes perguntar: onde é que foi buscar essa afirmação.

Se não gosta de ler muitos livros aconselho o livro de Eduardo Sucena, Lisboa, o Fado e os Fadista, que se lê muitíssimo bem e pode muito bem acontecer que fique desperto para o assunto. Claro que para o amante de Fado o livro " A triste Canção do Sul", publicações D. Quixote, de Alberto Pimental é fundamental. Porque ao ler este livro vai entender as grandes asneiras que se dizem sobre o Fado por pessoa importantes, que deviam ter uma grande responsabilidade sobre o assunto. Dar algo ao Fado é uma coisa, viver do Fado é outra. Cantar o Fado é uma coisa, investigar sobre o Fado é outra.

As origens do Fado
Quando se fala na origem de uma música, a primeira coisa que o investigador deve ter em conta é o estudo histórico e geográfico do assunto. Antes de nascer o Fado primeiro teve de nascer a pessoa que o criou ou cantou.
As afirmações que não deve fazer. Ou se quiser faça, mas prove que tem razão.
O Fado é a Canção Nacional - (mentira)
O Fado é uma canção urbana de Lisboa, que foi bem aceite pelos portugueses e passou a ser cantada em todo o território nacional.
O Fado tem origem Árabe - (mentira)
No sul de Portugal onde a cultura e tradições árabes se mantiveram por mais tempo, não há na sua literatura, qualquer referência a este tipo de canção. Também não se esqueça de que o tipo de escalas utilizadas nas músicas árabes nada têm a ver com as utilizadas no Fado.
Na batalha de Alcacér-Quibir não existiram Guitarras.
As crónicas da batalha de Alcacer-Quibir (norte de África), foram feitas por um monge francês Caveral e escritas em Francês. Alguém traduziu a palavra "Guiterne" para Guitarra. A "Guiterne" é um instrumento parecido com as nossas Viola de Arame. A Guitarra Portuguesa, ainda não existia.
O Fado é uma Canção de Marinheiros - (mentira)
O Fado é uma canção Lisboeta. Portugal te 700 km de costa e com tal muitos marinheiros. A escola de marinheiros era em Sagres.

Quando falar de Fado não se esqueça de dizer de que tipo de Fado está a falar:
Fado - Fado
Fado Canção
Fado Revisteiro
Fado Tauromáquico
Fado Brejeiro
Fado a Atirar
Fado Político

Olarilolé... o Fado foi utilizado como arma política pelos republicanos contra a monarquia.


Tipos de Fados
Fado-Fado
Canção do ambiente tradicional Fadista, onde se incluem os Fados tradicionais. Para a mesma música existem vários poemas. Por exemplo, o fadista ou a cantadeira diz à “parelha” (Conjunto de Guitarra e Viola), vou cantar o poema “tal” no Fado Alberto em Mi. A Parelha faz a introdução e o fadista ou cantadeira utilize o suporte musical do Fado em questão para cantar um poema que não corresponde ao poema original desse Fado
Fado Canção
Fado musicado com letra própria. A música e o poema são sempre os mesmos. O que não quer dizer que não tenha acontecido alguém fazer uma letra diferente, Mas por hábito não acontece.
Fado Revisteiro

Fado incluído numa revista, com refrão repetitivo que tinha por função cativar os espectadores, associando a melodia ou refrão a Revista em si tentando angariar mais público. Normalmente era um fado polémico e servia de crítica social actualizada, tendo por finalidade, criticar alguém importante fugindo às malhas da censura e da "PIDE". Como exemplo o Fado da Bomba da Revista Pé de Dança (1931). Tem a ver com a mudança sucessiva de governos e com a instabilidade do país.
Fado Tauromáquico
Relata, em jeito de história, ambientes ou acontecimentos vividos nas Praças de touros durante as corridas, ou histórias com Cavalos ou touros. Exemplo “ A última tourada em Salvaterra ou o conhecido “Cavalo Russo”.
Fado Brejeiro
Fado que tinha como função contar determinadas histórias em versos, normalmente quadras. Não utilizava palavrões mas sim, frases que davam a entender a situação. O Fadista Joaquim Cordeiro foi, na época um dos principais. Eram utilizadas as chamadas quadras de pé quebrado. Rimava, mas fugia ao palavrão.
Fado a Atirar

Quando o Fadista (homem) ou Cantadeira (mulher) não era pago ou não pertencia ao elenco da casa de Fado e precisava de dinheiro, improvisava uma letra, com um suporte musical conhecido, para que os clientes lhe “ATIRASSEM) dinheiro.

 Se não concorda ou encontrou gralhas na escrita ou frases mal construídas, diga da sua justiça.
jose-lucio@netcabo.pt
José Lúcio Ribeiro de Almeida


 Bem haja, José Lúcio Ribeiro de Almeida.
Obrigada, Helena de Castro


quinta-feira, janeiro 26, 2012

Aprenda a ouvir Fado ...

Como para mim o Fado é um tesouro português, venho comunicar-vos um lindo trabalho do Sr José Lúcio Ribeiro de Almeida. Para aqueles que não conhecem, eis a foto do José Lúcio :


Aprenda a ouvir Fado, com ouvidos de ouvir.

                                       O fado não se ouve ... acontece!



Quando se gosta de ouvir Fado, é bom, como diz o povo, não comer gato por lebre. Cada vez mais aparecem os "hambúrgueres do Fado". Não sabem cantar, são "semi-tonados", não têm voz, não sabem dividir o poema, não sabem respirar nas frases musicais ficando sem ar, para respeitar a melodia, cantam fados sem a preocupação de saberem se a sua extensão musical lhes permite cantá-los, mas no final, vendem muitos CD's, recebem muitas palmas e boas críticas do especialistas na matéria e quem gosta de Fado ouve com muito agrado, o que é grave. Ninguém come comida estragada. Então porque se canta mau Fado e ninguém diz nada.

Já ouviu a história, de que o professor António de Oliveira Salazar, governava Portugal com a filosofia dos "3F". Futebol, Fado e Fátima. Era importante manter o povo distraído da realidade, para não perder muito tempo a pensar. Assim esta política de simples cópia, resultava na perfeição.

Futebol - para os mais novos, endividados, que queriam um bom motivo para saírem de casa e não aturarem a mulher, filhos ou familiares dependentes.

Fado - Já mais homenzinhos (só se é homem a partir dos 50 anos, quando se começa a pensar mais com a cabeça de cima do que com a de baixo), onde a arte de ir aos Fados encobre muitas mentiras de difícil explicação, como as vidas duplas (estavam na moda as amantes, que os "Otários" sustentavam, bem como beber um bom copo, coisa rara hoje dia, por culpa do martelo, digo vinho ou whisky a martelo). Sim porque hoje ouvir Fado, só de Táxi ou bebendo água, porque o álcool tornou-se a causa de todos os acidentes. Mas como as estatísticas dão como causa dos acidentes, 20% (contas redondas) de condutores sobe o efeito do álcool, pela lógica matemática a água ou as bebidas não alcoólicas são perigosíssimas para a condução. Logo se conduzir não beba água, pois tem 80% de possibilidades de ter um acidente.

Fátima - Quando a saúde começa por faltar, vamos às promessas, ou no dizer do poeta "negócios com Deus".
Claro que as senhoras ficaram de fora, simplesmente por um questão histórica. Estou a falar, da técnica política do senhor professor Salazar.
Hoje em dia, pode utilizar a técnica de copiar e cola, aplicando a regra a ambos os sexos.

Mas vou-lhe dar uma receita simples de melhorar os seus conhecimentos de Fado. Se gosta mesmo de Fado, então leia com atenção :

1 - Não confundir ouvir Fado, com ouvir um CD de Fado. Ouvir Fado é estar lá, ao vivo e sem rede, onde a verdade acontece. O CD já é o lado cínico do Fado. Ou pensa que quando alguém vai gravar um CD e as coisa correm mal, alguém se engana, isso fica gravado. Como é lógico não. Torna-se a gravar tantas vezes, até ficar bem. Com o avanço tecnológico dos computadores, já existem programas, onde os medíocres cantam perfeitamente afinados. Claro só em CD, porque ao vivo são uma desgraça.

2 - Se gosta de um determinado Fado, tente saber quem é o autor da música (atenção o Fado Acácio, não é um autor é o nome da música) e o autor do poema. Saiba quem são os músicos que tocam. Em fado chama-se "parelha" ao conjunto, Violista e Guitarrista. Se for uma Marcha Popular, o grupo de 7 músicos chama "Cavalinho". Quem só ouve Fado em CD, não entende a expressão fadista... "o Fado acontece". Esta expressão quer dizer que nem sempre se canta Fado. Para o Fado "acontecer" (ouvir bom Fado) é necessário que o Yantra do Fado (triangulo esotérico do Fado aconteça. A pessoa que cante esteja a cantar bem, os músicos a tocar bem e o público a ouvir bem. Quando se diz, silêncio que se vai cantar o Fado, já é um mau sinal. Quer dizer que o público está barulhento ou seja está mais interessado em conversar do que em ouvir Fado. É que a palavra Fado está associada ao cantor. Mas o fado não vive só do cantor. Bem pelo contrário o cantor é o último do Fado. Primeiro alguém tem de fazer a Guitarra e a Viola, depois fazer a música e o poema, depois aprender a tocar no tom da pessoa que vai cantar e só depois aparece o "Artista", que é sempre quem ganha a taça.

3 - O Fado necessita de proximidade. Se existem microfones, já é um mau sinal. Já lhe estão a vender um espectáculo de Fado e não Fado. É que um espectáculo de Fado leva mais gente, pode ser cantado num campo de futebol, praça de touros ou em grandes recintos e isso é sinonimo de negócio de Fado e não de Fado. Quer dizer quantidade e não qualidade. Como é lógico os espectáculos de Fado na televisão necessitam de microfones, mas são espectáculos, não é Fado. Sabe qual é a grande diferença entre ouvir ao vivo numa pequena casa de Fado ou em grandes espectáculos ou na televisão. Experimente ir a um restaurante ver comer, estando com fome. Vê os outros comerem mas não come.

4 - Se gosta de Fado
, coloque como regra na sua vida, pelo menos uma vez por mês ir ouvir Fado. Escolha bem o local. Há por aí muito gato servido como lebre. Então o que fazer? Quem não sabe procura andar informado.

5 - Se vai ouvir Fado, não leve consigo pessoas que não gostam de Fado ou pessoa com quem não está há muito tempo. Caso contrário o mais natural é que a conversa de velhas recordações se sobreponham ao Fado.

6 - Se poder e os artistas autorizarem
grave e fotografe uma sessão de Fado. Vai ver que ao ouvi-la em casa, ela tem o sabor da verdade.

7 - Com o aparecimento dos CD os grandes arquivos de Fado ficarem em discos de 78 RPM ou em discos de 33 RPM. Se poder tenha vivo o seu gira-discos e procure os discos dos seus artista preferidos.

8 - Tenha sempre na sua colecção de Fados
, discos ou CD de boas Guitarradas. Oiça com atenção uma guitarrada, pois a música com a ausência de voz dá-nos um outro conhecimento do Fado.

9 - Finalmente se gosta de Fado e não lhe apetece fazer nada disto
, continue a gostar de Fado a sua maneira. A minha intenção ao escrever este texto foi simplesmente partilhar consigo aquilo que ando a aprender à cerca de 40 anos. Eu disse, ando a aprender, não disse... sei. Por isso me considero um investigador de Fado, aquele que o estuda e aprende todos os dias. Não um "musicólogo", porque antigamente esta expressão era utilizada para os investigadores e estudiosos, hoje em dia é só utilizada por "doutores".

Se não concordar ou verificar gralhas na escrita, diga da sua justiça. Conheci um pessoa que afirmava muitas vezes que: todos é que sabemos tudo.

jose-lucio@netcabo.pt

José Lúcio Ribeiro de Almeida


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