Quem sou eu

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Sou português, filho de pais incógnitos. Nasci em Lisboa, percorri Portugal e pela mão de Amália Rodrigues, corri mundo. Estou em toda a parte em que haja um português. Sou um capítulo de cultura portuguesa e a expressão máxima de Portugal. O Menor foi meu pai e minha mãe, o Mouraria é meu amante e casei-me com o Corrido. Tenho muitas namoradas, as Meninas Músicas filhas de distintos pais, os Meninos Poemas também namoram com elas, amo os Poetas ♥ ! Para fazer pirraça sou dedilhado numa guitarra, por vezes choro outras rio ... A D. Viola dá-me a marcação. Muito se diz sobre mim e eu continuo a ser mistério, sou amante, namorado, sou casado e sou galdério, sou leviano, atordoado mas também sei ser sério. Gosto da luz da candeia e do cintilar das velas, mas também gosto dos holofotes e do palco, sou vaidoso, sou boémio, sou artista, sou sofredor, sou alegre, sou verdade, sou português e por isso sou fadista! Gosto que me cantem bem, que me digam bem e que não me troquem as palavras... Posto isto, sou a canção mais bela do mundo ♥ !

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Origem de Mário Raínho

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♥ Fados e temas de Amália Rodrigues ♥

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segunda-feira, novembro 28, 2011

Nem às paredes confesso

 


Em memória de Gabino Ferreira

 


Gabino Ferreira  faleceu em Lisboa a 22 de Novembro de 2011
Nasceu mais uma estrela no céu, que descanse em paz.
1922 / 2011

À memória da Fadista Ana Maria Dias

 


 Ana Maria, "a fadista negra" como habitualmente se apresentava, faleceu em Lisboa a 27 de Novembro de 2011
Nasceu mais uma estrela no céu, que descanse em paz.
1952 / 2011


domingo, novembro 27, 2011

O Fado e a pintura de José Malhoa



Será que alguma vez teve a curiosidade de visitar o museu da cidade de Lisboa?
 
De certeza que já teve oportunidade de saborear este belo quadro "O FADO". José Vital Branco Malhoa, pintor famoso, nasceu nas Caldas da Rainha em 1855, e faleceu em 1933, em Figueiró dos Vinhos. Veio para Lisboa aprender o ofício de entalhador, mas era seu fado mudar a sua arte para a pintura. Frequentou a Academia de Belas Artes de Lisboa e foi um atento observador da Mouraria, zona que o inspirou para a criação do seu célebre quadro "O Fado".

 José Malhoa

Algumas curiosidades sobre o quadro de Malhoa.
Na época, os pintores contratavam modelos vivos para melhor poder expressar a sua arte, foi na Rua do Capelão que Malhoa contratou o Ambrósio Guitarrista e a Adelaide da Facada (tinha na face esquerda uma grande cicatriz e talvez por esse facto ela a encubra com a mão, virando a cara ao pintor).
O Ambrósio Guitarrista fez a vida negra a Malhoa. Por ser desordeiro passava mais tempo no calaboiço do que em liberdade, facto este que fez atrasar, em muito, a conclusão do óleo.
Recriando no seu atelier (Casa António Anastácio) um cenário natural, esta obra foi finalizada no ano de 1910.
Nem sempre o quadro de Malhoa foi conhecido por "O Fado". Em 1912 esteve exposto em Paris com o nome "Sous le Charme", em Buenos Aires "Será Verdade" e em Liverpool "The Natice Song".
Em 1917 foi adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa pelo valor de quatro mil escudos.

Malhoa quis homenagear e dar dignidade ao FADO
. No entanto numa entrevista dada a um jornal nega esta afirmação. Possivelmente, este facto deve-se à polémica gerada à volta da aquisição do quadro pela Câmara Municipal de Lisboa. Foram muitos aqueles que se insurgiram em relação a esta aquisição alegando existirem pintores mais consagrados internacionalmente.

O "Fado" de Malhoa retratava uma cantadeira acompanhada por um tocador que ostentava com um certo sentimento a sua banza (Guitarra Portuguesa). Muitos foram aqueles que confundiram este quadro com a figura de Severa acompanhada, possivelmente, pelo Sousa do Casacão. As chinelas são idênticas, a cabeleira é farta a saia tem rodapé. No quadro não faltam ainda pequenos pormenores como a imagem de Cristo na parede onde as mágoas eram afogadas no fundo de uma garrafa de vinho.

Fonte

Bem mais tarde, José Galhardo escreveu o "FADO MALHOA" que Frederico Valério musicou e Amália Rodrigues imortalizou, cantado-o como só ela sabia !

sábado, novembro 26, 2011

A Rosinha dos limões

 


Mãe


Fado dos azulejos

História da guitarra portuguesa por Guilherme Costa

AS GUITARRAS E O FADO



A palavra "guitarra", não se refere a um instrumento em especial, tudo depende do país onde a empregamos. Cada país tem a sua guitarra. Se for a Espanha, "uma guitarra" é o que nós chamamos em portugal "uma viola".
Mas, como terá aparecido no vocabulário musical a palavra GUITARRA e especificamente em Portugal.
A palavra GUITARRA, sem especificar a que tipo de guitarra no referimos, tem a sua origem etimológica na língua Grega, "Kythara", que os latinos transformam em "Cithara".
Dentro da mitologia, existem várias lendas sobres a origem desta palavra:
  • A palavra GUITARRA, proveio de " CYTHERON " , nome de uma montanha habitada por musas.
     
  • Do antigo nome " CYTHARA ", nome de ilha grega - CERIGO , paraíso da poesia e do amor, onde existe um templo dedicado a Vénus.
     
  • Atribui-se a invenção de um cordofone, um mouro/espanhol, que viveu na idade média de nome AL-GUITAR.
Pela análise e leitura comparada, de vários documentos que abordam este assunto, é tido como certo a existência de dois tipos de guitarras, na Península Ibérica, na Idade Média: a Guitarra Mourisca e a Guitarra Latina. A primeira de forma ovalada, a segunda em forma de um oito.


Referencias exaustivas são dadas no livro de Juan Bermudo, "Declaracion de Instrumentos Musicales" publicado em 1555, que se encontra na Biblioteca Nacional de Paris (está escrito em Espanhol do séc. XVI e existe uma edição fac-similada na Biblioteca Nacional de Lisboa).

Ainda hoje, muitas são as pessoas que confundem viola com guitarra. A confusão, está na pouca identidade da cultura musical Portuguesa. Muitos são os professores que dão "as aulas de guitarra clássica" quando o instrumento que ensinam, se chama de viola ou violão, em Português.

Para os mais cépticos, consultar o dicionário de música, de Thomaz Borba.
Musicólogos atentos estudaram, a terminologia utilizada pelos escritores Portugueses, chegando a conclusão, que se a palavra "viola" já era utilizada no século XV e, a palavra "guitarra" só é utilizada no século XVIII. Tem a sua lógica, porque é nesse século que a Guitarra Portuguesa, corta o seu cordão umbilical.
Não como os mais saudosistas pretendem, ter estado presente em Alcácer-Quibir, batalha no norte de África onde D. Sebastião perdeu a vida, ou talvez não, em 5 de Agosto de 1578. Segundo as crónicas do frade francês Caveral, os portugueses teriam deixado ficar no campo de batalha, 10.000 guitarras. Quem analisou este documento e o traduziu para português, não teve o cuidado de traduzir a palavra "guiterne" para Viola.
Assim, tendo em conta a veracidade dos documentos analisados, pode-se afirmar que primeiro apareceu a Guitarra Portuguesa (final do século XVIII), só depois aparece o FADO (como expressão musical).

Portugal é um país muito rico, nos diversos Cordofones que apresenta. Assim, além do Violão tradicional de 6 cordas, companheiro das Fadistices da Guitarra Portuguesa, existem várias violas de arame, com características bem definidas:
A Viola Amarantina (Amarante), Viola Braguesa (Braga), Viola Beiroa (Castelo Branco), Viola Toeira (Coimbra), Viola Campaniça (Alentejo), Viola de Arame (Madeira ), Viola da Terra (S. Miguel, Açores) e Violas de 15 e 18 ordens da Terceira (Açores).

Cada um destes instrumentos, tem uma afinação própria, um determinado número de cordas, enfim uma personalidade enraizada, por mãos calejadas, que os tocam com a sabedoria adquirida ao longo de gerações. Só porque são do povo e não do ambiente clássico, ninguém tem o direito de os destruir.

Gosta que lhe troquem o nome, ou o façam passar por outra pessoa?

Apesar da Guitarra Portuguesa ser um bocadinho mais velha que o FADO, não me diga que estes assuntos não são cativantes.
Recomendamos o livro de Armando Simões, A GUITARRA bosquejo histórico (1974).

Clique aqui, entre no site e clique em História


Guitarra de Lisboa e guitarra de Coimbra :



A guitarra de Coimbra distingue-se da guitarra de Lisboa :
  • pela forma, o formato da guitarra de Coimbra assemelha-se à forma da "pêra" e não redonda.
  • por afinar um tom ou tom e meio abaixo.
  • a sua voluta tem uma forma de lágrima, ao passo que a guitarra de Lisboa apresenta uma voluta em forma de caracol.

Clique aqui para ir para Museu dos Cordofones


Praga

Gaivota

 


Lamento fadista

sexta-feira, novembro 25, 2011

Fado que dizer "destino" ou expressão musical ?


Surfando por aí, sempre em busca de novos Poemas de Fado, fui deitando um olho por cima da minha "prancha" e encontrei outra opinião sobre as origens do nosso Fado ... e aqui está !
Todavia acho que vou começar a navegar de barco, já que somos um povo de marinheiros, porque cada vez as pesquisas dão mais frutos do mar, neste mar de Fado ... É já este fim de semana que vamos ter enfim a certeza se a candidatura do Fado a Património Imaterial da Humaninade é aprovada ou não. Sinceramente eu penso que sim, só me restam dúvidas (imensas) sobre o que este diplôma vai ou não trazer ao Fado e aos seus amantes (Fadistas, Poetas, Músicos e Compositores) ???

Deixo-vos com o fruto da minha última pescaria !

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Se já leram muitos artigos sobre este a história do fado, certamente que têm a noção do que vou referir nesta página. Se são pesquisadores da matéria, nalguns pontos de certeza que estaremos em discórdia. Mas quando se investiga um determinado assunto criamos dentro de nós um conceito sobre a matéria estudada. Não somos detentor da verdade pura, mas estamos contra as burrices de idiologias sem fundamento.

Falar de FADO é ler e reler as diversas opiniões, mastigá-las bem, dar sete voltas à língua... botar faladura e seja o que Deus quizer. Qualquer que tenha sido a origem do FADO a opinião de Alberto Pimentel, para nós, é a mais credível. No seu livro "Triste Canção do Sul" ele é bem claro nas suas investigações.
Luis de Camões, na sua epopeia "Os Lusiadas" utiliza 18 vezes a palavra fado. É precisamente aqui que o leitor menos atento começa por ter conceitos errados sobre a origem do FADO.

A palavra "fado" é uma coisa e FADO, como expressão musical, é outra. 

A comprovar esta afirmação está o estudo feito, por Alberto Pimentel, da literatura portuguesa do século XVI, XVII e século XVIII. Tinop não partilha da mesma opinião. Vislumbra no FADO uma origem marítima. É pouco provável. Sendo Portugal um país com tão grande extensão marítima, O FADO teria aparecido em diversos pontos de Portugal, levado por marinheiros e constaria dos arquivos e diários de bordo, por exemplo na Ponta de Sagres, onde existiu a Escola Náutica.

Outra opinião não fundamentada é a visualização de semelhanças entre o FADO e o Lundum, dança de umbigada africana. Se assim o fosse, mais uma vez ele teria sido levado para outros pontos e não teria ficado circunscrito à zona de Lisboa.

Estabelecer uma ligação directa do FADO com a nostalgia das Mornas, com o Tango argentino, com as Festas de S. João de Braga ou com a solidão de um marinheiro no alto mar, implicaria que o mesmo tivesse aparecido no pulsar de outros povos de culturas bem diferenciadas da portuguesa.

Que os portugueses de agora possam saborear o FADO em diversos pontos do nosso território, não faz do FADO a canção nacional.
Cada província portuguesa tem maneiras de estar de cantar e de sentir bem distintas.

Retomando as ideias de Alberto Pimentel, primeiro nasceu o homem e depois a expressão musical. Isto é, primeiro nasceu o fadista e depois o FADO. Mas o primeiro fadista não cantava. A ele eram encomendados, por ser destro no manejo da navalha, o fado de muita gente. Esta personagem aparece com toda a lógica com a instabilidade do país, aquando da fuga da família real para o Brasil. Napoleão Bonaparte decreta o Bloqueio Continental e Portugal vê-se invadido e saqueado pelas tropas Napoleónicas. As ruas mal iluminadas e as casas, de gente endinheirada, abandonadas aguçam o apetite à mão do alheio. Um país saqueado tem fome, e "casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão". As vinganças e os ajustes de contas fazem aparecer no nosso país esta personagem de melenas compridas que encobriam a sua face, o juiz de todas as discórdias. O fadista era temido por tudo e por todos, gabando-se, nas tascas mal iluminadas, dos seus feitos heróicos. É bem provável que nas sua visitas a casas de pessoas endinheiradas, que acompanharam a fuga da família real para o Brasil, ele tenha descoberto a Guitarra Portuguesa e na sua companhia comece por cantar as suas proezas.

A Guitarra Portuguesa que encontra os seus primeiros adeptos no Porto tem a sua origem próxima num instrumento inglês chamado Cistre (não confundir com Sistro, forquilha de madeira com soalhas de metal - da família dos Chincalhos), que entra pela Barra do Douro onde atracavam os barcos que faziam as trocas comerciais com os ingleses. O Mestre de Capela do Porto António da Silva Leite, devido ao entusiasmo crescente por este instrumento, nacionaliza-o e escreve um estudo para Guitarra, dedicado a Dona Antónia Magdalena e coloca-o à venda por 1200 reis, no dia 15 de Março de 1796. As músicas propostas por este estudioso são Minuetes, Marchas, Alegros e Contradanças.

Neste estudo de Guitarra não consta qualquer referência a nenhuma expressão musical que tenha a ver com FADO. Se o mesmo já existisse, também ele deveria ter sido mencionado por este professor de música. Só a partir desta data, a palavra Guitarra passa a pertencer ao vocabulário português. De salientar a importância de um outro Método datado de 1789, escrito por Paixão Ribeiro para Viola de Arame de 12 cordas e 5 ordens com o título "A Nobre Arte da Viola". A Guitarra de Silva Leite só tinha 10 cordas, as 4 primeiras ordens duplas e as restantes singelas (utilizava a afinação natural - do agudo para o grave Sol, Mi, Dó, Sol, Mi, Dó) pela análise destes documentos podemos afirmar que a Guitarra nasceu sem conhecer o fado.

Clique aqui para entrar no site e depois entre em "História"

Último fado por ti

Lágrima

 



E assim nasceu o fado

 


Gritos de um louco

Cansaço

 


quinta-feira, novembro 24, 2011

Sobre as origens do Fado ...



  
- O fado era aquela música que os marinheiros portugueses, tomados pela saudade, já cantavam nas caravelas, certo?

Eeerh... Por acaso, não. As origens do fado continuam a ser muito discutidas, mas nas caravelas de certeza que nunca embarcou. É que a palavra, usada num contexto musical, só começou a aparecer em finais do século XVIII. A primeira descrição documentada do género "fado" data de 1827 e foi feita por um capitão francês que andou a cirandar pelos portos do Brasil.


- Mas nos portos do Brasil do século XIX já havia mulheres vestidas de preto a queixarem-se da vida?

Nada disso. O que havia então era negros a dançar o "fado".


- Como assim? 0 Fado dançava-se?

No Brasil, sim: era uma dança com profundas influências africanas. O tal capitão francês classificou-a como "voluptuosa", que à época era uma maneira de dizer "provocante" e "erótica". Uma pouca-vergonha, enfim...


- Ora essa. E como é que se transformou no fado que conhecemos?

Esse é o grande mistério. Aliás, há quem recuse a origem brasileira, apontando influências árabes, ou quem - caso do investigador José Alberto Sardinha - defenda que se trata de uma criação 100% nacional, nascida do romanceiro tradicional, que chegou à capital através dos músicos itinerantes. O certo é que ainda na primeira metade do século XIX o género já é identificado em Lisboa, sobretudo nos bairros de má fama.

- Por volta de 1830, a expressão "casa de fado" era usada como eufemismo de um estabelecimento dedicado à prostituição. Mais pouca-vergonha?

O inicio da história do fado está cheio dela. Aliás, se chamássemos fadista a alguém no século XIX corríamos o risco de ser agredidos. A palavra era um sinónimo de marginal e de prostituta. Foi para fugir a esta conotação que as palavras "cantador" e "cantadeira", ainda hoje usadas, foram criadas. Sim, porque a famosa Severa era prostituta. A Severa é o grande mito fundador da história do fado, e dela se sabe muito pouco, para além de ter nascido em 1820 e morrido aos 26 anos. Mas sim, a senhora era prostituta e cantora de fados. O Conde de Vimioso apaixonou-se por ela e a longa ligação entre ambos terá aberto as portas do fado aos meios intelectuais e aristocráticos. 

- E depois?

Depois a popularidade do fado não parou mais de crescer, ultrapassando as diferenças de classe. A Severa foi cantada e foi pintada e o fado foi aos poucos afirmando-se como um elemento fundamental da cultura urbana lisboeta. Mas até aos anos 30 do século XX continuou a ser uma actividade amadora. 

- O que aconteceu nos anos 30? 
A rádio e o disco conduziram à sua profissionalização. E depois o Estado Novo, para poder controlar um meio potencialmente subversivo, instaurou a obrigação de cada fadista ter uma carteira profissional para cantar em público e ser remunerado por isso.


- Foi a partir daí que começaram a aparecer as casas de fado como hoje as conhecermos?

Exactamente. A partir daí começou a surgir a cultura da casa de fados, mais a respectiva iconografia fadista - o xaile, o silêncio, as luzes baixas - e a formar-se o conjunto de fados tradicionais. 

- O que é isso dos fados tradicionais? 
Os especialistas defendem que todo o fado entronca em três melodias básicas: Fado Menor, Fado Corrido e Fado Mouraria Em cima deles nasceram muitos outros fados, chamados tradicionais ou clássicos (as opiniões dividem-se sobre o número, variando entre os 150 e os mais de 300). 
Esses fados, ao contrário dos fados-canção (geralmente compostos a partir de um poema especifico), não têm refrão, respeitam certas estruturas melódicas, suportam as letras mais variadas e abrem um grande espaço de improvisação ao cantor e ao seu estilar. 

- Ao seu quê?

Ao seu estilar. O "estilar" é a assinatura do fadista, aquilo que o torna original. Tem tudo a ver com a capacidade de improvisação e de criar as chamadas "voltinhas" por cima de um mesmo colchão melódico. É isso que faz com que o mesmo Fado Vitória cantado por Amália em "Povo que Lavas no Rio" ou por Fernando Maurício em "Igreja de Santo Estêvão" possa parecer duas canções totalmente distintas. Fadista que é fadista improvisa e inova. 
Fadista que não é fadista limita-se a copiar o próximo - e a abrir muito a goela no ataque final.
In "Fado-Tótós" de João Miguel Tavares - Time Out Lisboa de 16 de Novembro 2011
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/

terça-feira, novembro 22, 2011

Permita-me que me apresente.... eu sou o FADO...

Uma vez não é costume, por isso hoje em vez da moldura dum poema vou publicar uma coisa que achei na Net e que acho interessantíssima. Não só pela maneira como está escrita mas também pelas verdades que contém sobre o misterioso Senhor Fado♥ !


"Permita-me que me apresente.... eu sou o FADO. 
 
Por favor não me confundam com o meu homónimo "fado" que tem a sua origem no vocábulo latino "fatum", que quer dizer destino, aquilo que tem de acontecer.
Não, eu sou o FADO, expressão musical umas vezes cantado, outras maltratado, tratado de vadio e no sentir, dos mestres, choroso nas cordas de uma Guitarra Portuguesa.

Mas já que a nossa cultura parece ser parente próximo do meu homónimo, por favor dêem-me o privilégio de me defender.
Não me façam velho, porque não o sou e não me troquem a nacionalidade, porque tenho muito orgulho em ser português.
Se querem saber o nome dos meus pais não leiam certidões de nascimento erradas. Sejam cuidadosos na procura.

Se por vezes sou melancólico, não nasci no Norte de África, caso contrário teria casa no Algarve (último reduto da cultura Muçulmana).

Há quem confunda o meu gingar com o balancear das Caravelas. Pouco provável. Sabem é que eu enjoo, senão teria aproveitado os cruzeiros do Infante D. Henrique e seria personagem célebre dos nossos Descobrimentos. Que eu saiba, Luís de Camões não era fadista.

Já agora e aproveitando o tempo que me estão a conceder fazia uma pequeno reparo às pessoas que elaboram os dicionários e as enciclopédias. Não leiam só o livro do Tinop. Procurem outras opiniões. Certamente passariam a conhecer-me melhor.

Alberto Pimentel chamou-me de "Triste Canção do Sul". Se por um lado fiquei triste (não se esqueçam que eu já entrei no teatro de revistas!). por outro lado fiquei a saber que um senhor chamado Lacerda, na quarta edição de um dicionário que elaborou, deu-me a conhecer em 1874. Se não faço parte de dicionários anteriores, ou fui criança durante muitos anos, ou então tenho razão: não sou muito velho.

Querem que eu seja a canção nacional mas os meus amigos não vão na conversa. Não represento os Viras minhotos nem as Arruadas alentejanas, não sei fazer o sapateado do Fandango nem as voltinhas do Corridinho algarvio.

Os mais letrados querem que eu seja doutor mas, se é certo que Augusto Hilário me levou para Coimbra, os estudantes criaram uma Guitarra e uma maneira própria de cantar.

Eu sou o Fado de Lisboa, embora tenha um primo que estudou em Coimbra, que se veste de capa negra e batina, que se chama Balada. 

Ainda não havia telenovelas, já queriam que eu fosse brasileiro. Confundir danças de umbigada, destinadas a distrair os marinheiros, com FADO, só porque no Brasil existia essa dança, é o mesmo que pedir ao seu mecânico para colocar no seu automóvel, aquando da revisão, velas (de pano).

Os mais saudosistas defensores do nevoeiro (desculpem o aparte, por acaso as raparigas do Boletim Meteorológico até são simpáticas) querem que eu também tenha participado nas desavenças de 4 de Agosto 1578, onde El Rei D. Sebastião se perdeu em Alcácer Quibir. Estas crónicas foram feitas em francês por um senhor chamado Caveiral.

Alguém pouco cuidadoso traduziu para português, a palavra Guiterne (viola de arame) como Guitarra, não desfazendo... até tem uma bela sonoridade.
A propósito de Guitarra Portuguesa. Sabem como a conheci? Encontrei-a na esquina de uma rua e "vivemos o amor com caráter de urgência", parafraseando Fernando Pessoa.

Como o Sol ainda vai alto e o burrinho anda bem se querem saber mais de mim arranjem um tempinho da vossa vida agitada e leiam o livro que o José Lúcio escreveu. Para os entendidos ele não vai contar novidades, para os estudiosos talvez encontrem pontos de discórdia, mas como da discussão nasce a luz, acendam-se as velas porque se vai cantar o Fado.

Mais não digo e aos costumes disse nada.

Do vosso amigo.

O Fado



quarta-feira, novembro 16, 2011

terça-feira, novembro 15, 2011

Ovelha negra

Aqui




Lisboa não é só isto - Vanessa Silva

 

Lisboa não é só isto - Final da revista Vai de em@ail a pior

 

Canção de Lisboa ou Quando eu partir

 

Nosso fado é sempre Fado

Meu grande grande amor

 



Longa caminhada

 

Eu sou aquilo que sou

Velho Marinheiro

 

O amor é louco

 

Mundo de Inverno

Clique aqui para ouvir

Mulher de Lisboa


Clique aqui para ouvir Fernando Maurício

Meu amor marinheiro